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Black Friday será teste de fogo para varejo online

Desemprego recorde pode inibir gastos e propensão a contrair dívidas
16 de novembro de 2020, 18h06

Desemprego recorde pode inibir gastos e propensão a contrair dívidas

No ano em que 7,3 milhões de novos consumidores aderiram às compras pela internet, a Black Friday será um teste de fogo para o varejo online. Os obstáculos não são modestos.

A taxa de desemprego chega ao final do ano batendo recordes, o que inibe gastos e propensão a contrair dívidas. Até agosto, 13,8 milhões de pessoas buscavam trabalho, mas não encontravam, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O auxílio emergencial, que sustentou a retomada das vendas em vários estados, já foi reduzido de R$ 600 para R$ 300 e, até agora, não tem previsão de ser prorrogado.

Há também a inflação em alta. O desarranjo das cadeias produtivas reduziu o abastecimento de diversos componentes da indústria, o que resultou em pressão sobre custos na produção e gera impactos sobre os estoques.

O ambiente econômico, por sua vez, limita a capacidade de repasse desses custos. Não há espaço para remarcações de preço, avalia o vice-presidente da ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), Rodrigo Bandeira.

Ainda assim, estudo da Neotrust/Compre&Confie com a ABComm projeta uma alta de 77% no volume de pedidos e no faturamento do ecommerce na comparação com o resultado do ano passado.

“Apesar do ano altamente atípico, a data vem crescendo. Além disso, tivemos o ingresso de milhares de novos consumidores e 150 mil novas lojas online. É um número muito importante de consumidores com propensão a buscar ofertas”, diz Bandeira.

O boom do comércio online na pandemia levou as grandes varejistas a acelerar processos de digitalização, o que, segundo analistas, pode ter feito com que eles estejam mais preparados para oferecer sites estáveis e cumprimento de prazos.

Júlia Ávila, da Ebit|Nielsen, diz que a reabertura das lojas equilibrou a balança em direção ao varejo físico, mas que o bom desempenho nos meses aumentou a importância da data.

A projeção da consultoria é mais modesta do que a feita pela Neotrust, mas ainda é de alta -a estimativa é de um crescimento de 27% nas vendas. Para Júlia, sem a redução do auxílio emergencial, o resultado seria ainda maior.

A avaliação de Felipe Brandão, da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, é similar, mas mais otimista -ele acha que nem a crise econômica reduzirá o avanço do dia de promoções.

Outro desafio para o varejo neste ano é com a lotação das lojas, uma vez que as recomendações de evitar aglomerações persistem. Para evitar o efeito “estouro de boiada”, as grandes empresas com lojas físicas anteciparam as promoções e prometem que tudo o que foi remarcado já está no melhor preço.

Na Via Varejo, dona de Casas Bahia e Pontofrio, a Black Friday vai durar 40 dias. As promoções começaram no fim de outubro. A estratégia pretende desviar o comprador da loja física e garantir um tráfego mais diluído no decorrer dos dias. Mesmo assim, Abel Ornelas, chefe de operações da rede, prevê que a semana final seja de lojas cheias e cuidados redobrados.

Para os 40 dias de evento, R$ 7 bilhões em mercadorias foram colocadas em estoque. Para driblar problemas de abastecimento, a rede diz ter usado o bom relacionamento com fornecedores e as negociações fechadas com muita antecedência. “Pode não ter a variedade, mas profundidade, vamos ter. De dez modelos, vai ter cinco ou seis’, diz Abel.

Na Dafiti, Malte Huffmann, cofundador do grupo de ecommerce de moda, diz que encontrou dificuldades com alguns fornecedores e contornou o problema aumentando o portfólio na pandemia.

“No nosso setor houve relatos de falta de matéria-prima, com fábricas fechadas no Ceará e no Rio Grande do Sul. Mas, por outro lado, avançamos na estratégia de market place”.

Para o dia de promoções, batizado pela empresa de “fashion friday”, a marca diz planejar descontos de até 80% e ter Sabrina Sato como estrela da campanha.

 
 

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